Marketing Pessoal: a criar emprego desde 1997

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Quando o conceito de personal branding foi introduzido por Tom Peters no final dos anos 90, ter uma marca pessoal era algo reservado a executivos de topo que queriam maximizar o seu retorno financeiro ao longo da carreira.

Hoje, este conceito tem quase 20 anos e tornou-se absolutamente necessário para para qualquer profissional, mas são poucos os que páram para repensar a sua carreira em termos de marketing pessoal.

“Victorious warriors win first and then go to war, while defeated warriors go to war first and then seek to win.” - Sun Tzu

Se estamos à procura de emprego é a primeira coisa que devemos fazer pois vai influenciar tudo. Desde a nossa estratégia de job hunting ao nosso discurso em entrevista, passando pela elaboração do CV. Tudo passa a estar coerente com o nosso posicionamento.

Quando comecei este blog, dois dos primeiros posts que escrevi foram precisamente sobre a importância do marketing pessoal e o processo que me levou à criação da minha marca, tema a que dediquei um capítulo inteiro do meu livro “Licenciado. E Agora?”.

Expliquei o “porquê” quando realcei a necessidade de nos diferenciarmos no mercado de trabalho, e o o “como” quando referi o processo. Mas apercebo-me agora que nunca expliquei o “para quê.”

Felizmente, esta semana tenho a história perfeita para ilustrar o “para quê” pois acabei de assinar um contrato de trabalho para os próximos três meses.

“Então esta história do marketing pessoal é para conseguir um emprego?” – Perguntam-me vocês.

Não. Uma marca pessoal bem definida é meio caminho andado para conseguir O emprego, não apenas mais um. E repara que o título do artigo é CRIAR emprego e não apenas conseguir uma vaga.

Definir uma marca pessoal não é uma operação cosmética ou uma cirurgia plástica. É um exercício de auto-conhecimento, uma transformação interior. É um esforço intencional que vai direccionar toda a nossa carreira para um objectivo que estabelecemos.

No mês passado estive num processo de recrutamento para directora de comunicação de um Grupo Multimédia.

A forma como me candidatei foi normalíssima: em resposta a um anuncio, via LinkedIn, apesar deste me indicar que não estaria no top 50% dos candidatos (e verdade seja dita, o meu perfil é mais Marketing Estratégico que Comunicação/RP).

Como consegui a entrevista visto não preencher todos os requisitos e não ter investido muito na candidatura de forma não tradicional?

A Managing Partner da empresa viu o meu perfil de Linkedin, e enviou-me um email a dizer que tinha gostado de ler os meus artigos no meu blog e de percorrer o meu twitter feed. Perguntou-me porque estava a procura de um novo trabalho full time e quais eram as minhas expectativas salariais.

Lá dei o meu número (justificado com a minha experiência e os valores de mercado) e convidou-me para uma conversa informal.

Ou seja, eu posso não ter investido muito naquela candidatura em particular mas investi bastante em criar a minha marca pessoal e a projectá-la online de forma coerente em várias plataformas.

 Aliás, se forem ao Google pesquisar por Rute Silva Brito, a primeira página e meia de resultados é toda minha.

Nessa primeira conversa conheci a empresa, falámos de livros que ambas já lemos, dos desafios que o grupo enfrenta e do meu percurso até aqui. Fiz perguntas estratégicas. Fui transparente (até mesmo nas respostas difíceis – ver aqui) e a conversa correu bem, apesar de até termos falado pouco de comunicação propriamente dita.

Passado uma semana voltei lá para mais uma entrevista informal com o CEO. Acabamos por falar mais do negócio da empresa e de empreendedorismo do que comunicação, mais uma vez.

Quando me ligaram, dias depois, disseram-me que acharam que eu não seria o melhor match para o cargo. Perguntei o motivo – “honestamente, penso que irias achar a função um pouco secante” – concordei.

No entanto, tinham uns quantos projectos na gaveta e acharam que eu seria a pessoa perfeita para leva-los a cabo. As palavras exactas foram “conhecer-te inspirou-nos a avançar com estas ideias”.

Fui lá novamente para explorar as ideias que tinham em cima da mesa e conhecer a directora de uma das empresas. O desafio é enorme. São vários projectos mas um deles trata-se de lançar um produto completamente diferente do core business do Grupo, para um mercado novo.

Não tinham budget alocado aos projectos mas fizeram-me uma proposta próxima do valor que tinha indicado e assinámos um acordo de 3 meses para ver se os projectos têm pernas para andar. No final, logo veremos.

E foi assim que a minha marca pessoal (Marketing Strategist, Entrepreneur) me deu acesso a um emprego que não existia antes de eu ter entrado na sala de reuniões, não tinha budget alocado, não apareceu num anúncio de emprego e por isso não tive concorrência.

É isto que se chama hidden job market.

Podia estar numa empresa grande qualquer a fazer marketing tradicional mas, em vez disso, tudo resultou no sentido em que escolhi direcionar a minha carreira. Até estou a fazer uma pesquisa extensiva sobre a cena das Start-ups no Médio Oriente, onde espero me inserir.

Agora tenho que desligar porque vou ali a uma conferência de empreendedorismo.

E tu, quando crias a tua marca pessoal?

Rute da Silva Brito
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5 thoughts on “Marketing Pessoal: a criar emprego desde 1997

  1. Cara Rute, parabéns pelo novo desafio. Todo o trabalho realizado no blog é um excelente cartão de visita: demonstra capacidade de trabalho, criatividade, sensibilidade, proactividade, experiência de vida, capacidade de gestão do tempo, entre muitas outras competências que certamente tem e que são muito valorizadas por qualquer empregador ou investidor.

    Pessoalmente, parece-me que a maioria das pessoas que conheço à procura de emprego, não só não têm objectivamente as capacidades e competências para fazer um trabalho de “auto promoção” semelhante em termos de qualidade, seja em que moldes for, como também não alcançaram a maturidade necessária para fazer o exercício, que considero fundamental em todo o processo e que expressa nesta frase:
    “É um exercício de auto-conhecimento, uma transformação interior. É um esforço intencional que vai direccionar toda a nossa carreira para um objectivo que estabelecemos”.

    Sem este passo completo, tudo o resto se torna ainda mais difícil. Fazem-se cursos e formações sem motivação e sem sentido prático, desenvolvem-se iniciativas de marketing pessoal incoerentes e inconsistentes, aceitam-se experiências de trabalho pouco enriquecedoras, acaba-se por perder tempo essencial e chega-se ao fim sem resultados práticos. Embora algumas destas acções possam e devam contribuir para a tal transformação, é necessário que haja consciencialização pessoal de cada um para optimizar o tempo e as nossas decisões, no sentido de desenvolver as experiências que nos permitam direcionar todos os esforços para a realização/objectivo que pretendemos atingir.

    Reforço por isso que em primeiro lugar é importante cada um independentemente da idade e experiência, desenvolver exercícios de auto-conhecimento e de transformação interior. Julgo que este deverá ser um processo continuo e constante na vida.

    Continuação de bom trabalho!

    • Olá André,

      Concordo em absoluto. Também considero que a maioria das pessoas que conheço à procura de trabalho não têm o know how necessário porque infelizmente em Portugal há muito pouco awereness para este tema e o sistema de ensino superior também não ajuda.

      Mas a boa notícia é que está tudo disponível e à distância de um click. Nunca tivemos tanto acesso a informação, formação e pessoas portanto também acho que quem não sabe é um pouco porque não quer, porque não investiu em procurar saber…

      Quanto ao aspecto do auto conhecimento necessário, também aqui é preciso uma postura diferente. Temos de experimentar coisas diferentes, de fazer, de tomar iniciativa e ter uma postura de aprendizagem constante, sem duvida.

      Mesmo no meu caso, so tenho 27 anos e a marca pessoal q defini para mim não é estanque, ha-de acompanhar a minha evicção profissional e pessoal. Isto embora esteja enraizada naquilo que sou intrinsecamente… Julgo que as mudanças serão pequenos tweaks :)

      Obrigada pelo feedback, foi óptimo ler uma opinião tao bem fundamentada!

      Rute Silva Brito

  2. É por causa deste blog que estou a criar-me e a recriar-me, deixando de lado aquele medo que a maioria das pessoas tem, impedindo-as de se exporem, profissionalmente claro, online, onde tudo acontece.
    Os teus conselhos têm sido mais que úteis, são guidelines indispensáveis para fomentar o nosso valor e irmos ao encontro daquilo que queremos encontrar.
    Mesmo que encontres O emprego, mesmo que ganhes 1 milhão de dólares por mês, não deixes de escrever, seja aqui ou nas bancas das livrarias. Acredito que muita gente conseguirá vingar na vida nas entrelinhas das tuas frases e na tua experiência rica em palavras que se tornam ações.

    • Caro colega, estragas-me com essas palavras!

      Mas fico mesmo feliz por saber que o que escrevo tem um pequeno impacto (curioso que se nota mais em pessoas que já eram proactivas, como tu, que são as que menos precisam). Já sabes que estou aqui para ajudar no que for preciso e puder.

      Quanto ao milhão de dólares também não exageres… não é preciso ser por mês, basta em 3 anos, vá… coisa pouca ahahah (i wish!)

      Obrigada pelo incentivo.

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