7 coisas que aprendi desde que emigrei

Itchy Feet Comic

Faz quase um ano que recebi o convite escrever uma coluna no icote.pt. Foi uma resposta fácil – já escrevia sobre os mesmos temas no Licenciado. E Agora? e tinha emigrado há pouco tempo para o Dubai.

Desde o início que tenho procurado provocar nos leitores uma reacção com os meus textos de índole prática, tom assertivo e testemunho pessoal. Um pequeníssimo contributo que em nada se compara ao trabalho dos meus colegas que mantêm o site e têm ajudado milhares de portugueses a encontrar o seu caminho fora do país. A eles, o meu obrigado. Pelo convite, camaradagem e empenho nesta missão altruísta.

O meu espírito natalício diz-me que é apropriado mencionar o quão incrível são as portas que se abrem quando nos entregamos a um projecto para abençoarmos outras pessoas e sem esperarmos nada em troca. Acabamos por ser nós os mais abençoados.

Desafio-te a fazeres o mesmo, especialmente se estiveres desempregado.

Não sejas como 90% das pessoas que fica no sofá à espera de ter uma resposta aos CVs que envia. Ocupa a tua mente com projectos construtivos em vez de pensamentos depressivos. Investe o teu tempo em projectos pessoais, mesmo que não sejam remunerados.

É um desafio que só tem três requisitos: 1) tem de ser algo que gostes de fazer, 2) tem de ser algo que envolva trabalhar com outras pessoas e 3) tem de ser algo altruísta, que acrescente valor ao destinatário.

Garanto que os resultados são surpreendentes.

Fazendo uma retrospectiva a este ano que passou e ao meu primeiro ano e meio como portuguesa no estrangeiro, partilho aqui algumas das lições que aprendi e experiências que passei. Continue reading

Mestrado é sinónimo de insegurança?

16318.strip

Como mencionei neste texto, sou grande apologista de nos questionarmos a nós próprios constantemente. De procurarmos honestamente responder ao “porquê”.

Acho que ao fazer esse exercício, frequentemente nos apercebemos que as primeiras respostas que damos são um engodo, desculpas que arranjamos para não termos de refletir sobre as nossas verdadeiras motivações.

No outro dia vi um post no facebook que me fez pensar novamente neste tema e também num artigo que escrevi em Janeiro sobre mestrados. Uma pessoa “a fazer o último ano de licenciatura e que já estava a pensar no mestrado” foi procurar saber mais sobre dois mestrados diferentes num grupo da universidade. Ambos eram da mesma área que a licenciatura e a motivação da escolha era por ser “algo que queria mesmo”.

Fazer um mestrado para enriquecimento intelectual é perfeitamente válido e é uma decisão pessoal, mas então deixemos de fingir que é uma opção de carreira. Não conheço as circunstâncias da pessoa em causa mas deixou-me a pensar no que leva realmente uma boa parte dos finalistas a continuar os estudos.

Quer-me parecer que os motivos reais raramente são exteriores. Raramente são porque querem direcionar a carreira para uma área específica ou porque é difícil conseguir emprego com a licenciatura actual. Atrevo-me a especular que os verdadeiros motivos são internos.

Quando era finalista e ouvi um colega comentar abertamente que ia tirar um mestrado porque não se sentia preparado para entrar no mercado de trabalho, encarei como uma situação isolada de síndrome de Peter Pan (ele próprio admitiu).

Hoje penso que não é de todo um caso isolado. Não quer dizer que todos os alunos que optem por esse caminho tenham medo de crescer ou de assumir responsabilidades, mas há uma certa insegurança que pode estar na raiz da decisão. Continue reading

Empreendedorismo a preto e branco

Peter_Drucker cópia

[AVISO] Conteúdo de tom ligeiramente sarcástico.

Há meses que deixei de fazer cursos online por falta de tempo mas quando pessoal do Y Combinator (possivelmente o melhor acelerador de startups do mundo) disponibiliza online as várias aulas sobre startups que estão a dar em Stanford, eu arranjo tempo.

Para quem possa estar igualmente interessado, ainda está a decorrer e podem assistir a “How to Start a Startup” aqui. São 20 aulas dadas por alguns dos melhores empreendedores, business angels e VCs do mundo.

No outro dia, por curiosidade, fui ver a lista de universidades que estão a passar os vídeos e a acompanhar o programa com os seus alunos e entre 500 instituições do mundo inteiro, só há uma portuguesa (o Técnico). Uma!

Não há dúvida que o ensino superior em Portugal precisa de uma revolução e infelizmente temos problemas estruturais que só serão resolvidos com novas políticas de ensino. Mas até lá cabe aos professores fazerem o que podem para se manterem actualizados e trazerem desafios interessantes para a sala de aula que realmente sejam relevantes no século XXI.

Com tantas universidades a darem cadeiras de empreendedorismo, não há professores que tomem iniciativa de dar destaque a isto?! É tão simples quanto projectar um vídeo.

Por curiosidade fui ver os planos curriculares em várias universidades e o que encontrei dá-me vontade de rir e chorar ao mesmo tempo.

Continue reading

Como conseguir buy-in e aprovar uma ideia

108249.strip.sundayHá tempos atrás, comecei um novo trabalho.

Recebi a pasta, conheci as pessoas relevantes em todos os departamento e comecei a trabalhar no meu projecto, a moldar o meu departamento de acordo com a minha visão para o cargo.

Na minha reunião semanal com o meu CEO, depois de passar por todos os tópicos na lista, mencionei por alto a estratégia que tinha delineado para atingirmos os objectivos que tinha em mente. Para meu desânimo, o CEO rapidamente descartou a minha ideia, e preferia deixar as coisas como estavam.

Nesse dia fui para casa sem moral. Continue reading

Faças o que fizeres, lê isto.

Visto que nos próximos tempos planeio escrever mais sobre empreendedorismo do que procura de emprego e carreira no sentido mais tradicional, deixo aqui uma lista de óptimos livros que considero de leitura obrigatória na área de gestão de carreira. Podem clickar nas imagens para aceder à respectiva página da amazon UK ou procurar na vossa Fnac local pela versão em portuguesa.

Sem nenhuma ordem especial, aqui ficam.Business-Model-You-CoverBusiness Model You por Tim Clark

Este livro utiliza o Business Model Canvas (usado por empreendedores para definirem o modelo de negócio das suas empresas) e aplica a mesma lógica à carreira individual. Está cheio de exemplos práticos de profissionais das mais variadas áreas que utilizaram este método, o que te ajuda bastante a colocares o teu percurso em perspectiva, analisares os teus pontos fortes e perceberes como te deves posicionar no mercado. Começas a olhar para ti não só como uma marca mas como uma empresa de uma pessoa, que deve operar com um modelo de negócio definido.

Acho que é particularmente útil em processos de transição ou quando te sentes estagnado e precisas de perceber como evoluir, dar o passo seguinte, ou reinventar-te. Está cheio de exercícios que podes fazer e que te ajudam neste processo de auto-descoberta.

“Dream jobs are more often created than found, so they’re rarely attainable through conventional searches. Creating one requires strong self-knowledge” - in Business Model You Continue reading

Faz mais perguntas estúpidas

0393

Ontem foi o Dia Internacional do Café. Sim, isso existe. Não só existe o dia do café como de toda uma série de coisas aparentemente idiotas para terem um dia dedicado. Como o “Talk like a Pirate”, o “Virus Appreciation Day” ou “International Ninja Day” (ok, este é bué fixe!!).

Hoje, nos Estados Unidos, celebra-se o “Ask a Stupid Question Day”.

Pode parecer um disparate, mas não é. Celebrado no último dia escolar do mês de Setembro, nasceu nos anos 80 como forma de encorajar os alunos a fazerem mais perguntas na sala de aula, sem receio de serem gozados pelos colegas ou sentirem-se estúpidos.

Acho que todos crescemos um pouco com esse estigma e não é algo que desaparece na idade adulta. Quantas vezes não estamos em reuniões, aulas, conversas, onde não percebemos o que está a ser falado ou temos uma dúvida mas não perguntamos?

Quando somos crianças, somos naturalmente curiosos e até passamos pela chamada idade dos porquês. Mas, à medida que crescemos, somos tão formatados para o conformismo que deixamos de fazer perguntas.

Uma mente curiosa e a capacidade de fazer as perguntas certas distinguem foras de série de profissionais average. Continue reading

Screw it. Just do it.

entrepreneurship

Até aqui tenho escrito sobretudo sobre como conseguir emprego ou gestão de carreira e sinto que está na hora de mudar o focus para uma forma de carreira cada vez mais importante: criar o teu próprio emprego.

Este é o primeiro texto de uma série de reflexões sobre freelancing e empreendedorismo.

Já alguma vez pensaste “tudo o que fiz, tudo o que passei até aqui trouxe-me a este momento”?

Hoje, estou nesse momento. Continue reading

Procurar Emprego no Dubai – Parte 2

Burj-Al-Arab-City-571x322Nesta segunda parte vais encontrar conselhos e links úteis para procurar emprego, incluindo aquelas coisas que nunca te dizem e que certamente não verás em sites “oficiais”.

Convém reforçar que este post, assim como todo o blog no geral, é mais virado para o mercado empresarial e não para profissões técnicas ou altamente especializadas…

Job Hunting no Dubai pode ser um processo longo e bastante frustrante.

Não é de todo incomum que mesmo estando cá se demore mais de 6 meses a encontrar trabalho. O recrutamento é muito lento, especialmente se for para recrutar alguém do exterior. E mesmo depois de selecionado o candidato, há imensas burocracias por cumprir antes de teres um visto de trabalho no passaporte.

Quanto mais consciente estiveres das especificidades deste mercado, maiores são as tuas hipóteses de sucesso e não desanimas tão facilmente quando parece que nada acontece.

Aqui ficam os passos que considero essenciais. Continue reading

Procurar emprego no Dubai – Parte 1

dubai_660

Desde que vivo nos Emirados Árabes Unidos que uma das perguntas que me fazem mais vezes é como procurar emprego Dubai, como fazer um CV para este mercado ou uma outra variação destas duas questões.

Não tinha noção da quantidade de portugueses que querem trabalhar no Dubai, são mesmo muitos. Por isso aqui fica o meu contributo, uma espécie de guia cimentado na minha própria experiência, bem como de amigos que aqui vivem.

Nesta primeira parte vou focar-me em 3 questões que penso toda a gente deveria ponderar antes contemplar a mudança. Continue reading