Faz mais perguntas estúpidas

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Ontem foi o Dia Internacional do Café. Sim, isso existe. Não só existe o dia do café como de toda uma série de coisas aparentemente idiotas para terem um dia dedicado. Como o “Talk like a Pirate”, o “Virus Appreciation Day” ou “International Ninja Day” (ok, este é bué fixe!!).

Hoje, nos Estados Unidos, celebra-se o “Ask a Stupid Question Day”.

Pode parecer um disparate, mas não é. Celebrado no último dia escolar do mês de Setembro, nasceu nos anos 80 como forma de encorajar os alunos a fazerem mais perguntas na sala de aula, sem receio de serem gozados pelos colegas ou sentirem-se estúpidos.

Acho que todos crescemos um pouco com esse estigma e não é algo que desaparece na idade adulta. Quantas vezes não estamos em reuniões, aulas, conversas, onde não percebemos o que está a ser falado ou temos uma dúvida mas não perguntamos?

Quando somos crianças, somos naturalmente curiosos e até passamos pela chamada idade dos porquês. Mas, à medida que crescemos, somos tão formatados para o conformismo que deixamos de fazer perguntas.

Uma mente curiosa e a capacidade de fazer as perguntas certas distinguem foras de série de profissionais average.

Exemplos?

As perguntas que um candidato faz numa entrevista de emprego são muito mais importantes que as respostas que dá. Um candidato que não faz perguntas raramente é escolhido.

Há umas semanas tive uma reunião com a HR Manager da minha empresa porque vou ter de abrir um processo de recrutamento. Mostrei-lhe a job description que tinha feito e o perfil da pessoa que tinha idealizado. Saí a pensar “esta gaja percebe mesmo disto” pelas perguntas que me fez imediatamente ao olhar para o perfil.

Durante dois meses a equipa de comunicação andou em brainstorms e reuniões a tentar definir o posicionamento e a visão da empresa. O problema é que estavam a tentar encontrar respostas sem colocar perguntas. Quando fui envolvida no processo, fui ao cerne da questão. Três perguntas e 20 minutos depois, tínhamos tudo escrito.

Andei durante dias a trabalhar num projecto. O meu CEO chega, pergunta como está e faz uma pergunta simples: porquê? Com uma palavra fez-me deitar o projecto abaixo e recomeçar, desta vez na direcção certa.

Reflectir no “Porquê?” é a diferença entre trabalho extraordinário e trabalho average que implicitamente responde “sempre se fez assim”, “o meu chefe quer isto desta maneira”, “não sou eu que decido” ou “não é da minha responsabilidade”.

Perguntar porquê é contrariar o status quo. Não tenhas medo de fazer perguntas estúpidas.

Mas atenção, há uma diferença entre perguntas estúpidas e perguntas preguiçosas. A pergunta preguiçosa é aquela que transfere o ônus da resposta para outra pessoa, quando está ao teu alcance.

As perguntas mais difíceis – e as melhores – são as perguntas que colocas a ti mesmo.

Rute Silva Brito

Screw it. Just do it.

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Até aqui tenho escrito sobretudo sobre como conseguir emprego ou gestão de carreira e sinto que está na hora de mudar o focus para uma forma de carreira cada vez mais importante: criar o teu próprio emprego.

Este é o primeiro texto de uma série de reflexões sobre freelancing e empreendedorismo.

Já alguma vez pensaste “tudo o que fiz, tudo o que passei até aqui trouxe-me a este momento”?

Hoje, estou nesse momento.

Estou nesse momento desde há 3 meses. Tudo o que fiz até agora, tudo o que passei pessoal e profissionalmente foi uma aprendizagem necessária para chegar aqui. Em todas as situações particulares – até nas menos boas – aprendi algo que precisava para me lançar no meu projecto.

Engraçado que só me apercebi disso depois de ter começado, o que me leva a pensar que não são as coisas que nos acontecem que nos trazem “aqui”. Somos nós que decidimos e depois olhamos para trás e identificamos as lições necessárias.

Mas tudo começa com uma decisão. Quando decides começar. Quando deixas de sonhar e fazes.

Quer isto dizer que precisas de aprender tudo o que é necessário antes de começar?

Não.

A aprendizagem a sério começa quando te lanças de cabeça. E nunca acaba.

Não fiques à espera do momento certo. Nunca vai chegar.

Como diz o Richard Branson: screw it, just do it.

Rute Silva Brito

Procurar Emprego no Dubai – Parte 2

Burj-Al-Arab-City-571x322Nesta segunda parte vais encontrar conselhos e links úteis para procurar emprego, incluindo aquelas coisas que nunca te dizem e que certamente não verás em sites “oficiais”.

Convém reforçar que este post, assim como todo o blog no geral, é mais virado para o mercado empresarial e não para profissões técnicas ou altamente especializadas…

Job Hunting no Dubai pode ser um processo longo e bastante frustrante.

Não é de todo incomum que mesmo estando cá se demore mais de 6 meses a encontrar trabalho. O recrutamento é muito lento, especialmente se for para recrutar alguém do exterior. E mesmo depois de selecionado o candidato, há imensas burocracias por cumprir antes de teres um visto de trabalho no passaporte.

Quanto mais consciente estiveres das especificidades deste mercado, maiores são as tuas hipóteses de sucesso e não desanimas tão facilmente quando parece que nada acontece.

Aqui ficam os passos que considero essenciais. Continue reading

Procurar emprego no Dubai – Parte 1

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Desde que vivo nos Emirados Árabes Unidos que uma das perguntas que me fazem mais vezes é como procurar emprego Dubai, como fazer um CV para este mercado ou uma outra variação destas duas questões.

Não tinha noção da quantidade de portugueses que querem trabalhar no Dubai, são mesmo muitos. Por isso aqui fica o meu contributo, uma espécie de guia cimentado na minha própria experiência, bem como de amigos que aqui vivem.

Nesta primeira parte vou focar-me em 3 questões que penso toda a gente deveria ponderar antes contemplar a mudança. Continue reading

A carreira do século XXI

follow the rules

Escolher uma carreira costumava ser fácil.

Se quisesses ser jornalista, licenciavas-te em jornalismo, fazias um estágio num órgão de comunicação social para ter acesso à carteira e ias trabalhar para um jornal. Para seres mecânico, tiravas um curso profissional e ias para uma oficina ser aprendiz.

Etc.

Tudo começava na escolha do curso universitário (ou outro tipo de formação) e o caminho estava mais ou menos delineado.

Hoje, não há trabalhos para a vida, não há emprego seguro (se é que alguma vez houve), nem carreiras de indústria. Os cursos tradicionalmente mais procurados não têm empregabilidade e o mercado não consegue absorver os licenciados todos.

O resultado? Continue reading

Um dos Skills mais importantes na vida

Há tempos li um artigo no Dinheiro Vivo sobre as competências importantes para se ser bem sucedido a nível profissional. Não é no conteúdo do artigo que me quero focar mas sim num comentário que li na sequência do post.

Aparentemente, um senhor estava muito indignado pelo facto do Dinheiro Vivo ter, tal como eu no título deste texto, utilizado a palavra skill em vez do correspondente em português: competência. Muitos foram os utilizadores que se apressaram a concordar, em defesa da honra da língua portuguesa.

No dia em que esta crónica for publicada, provavelmente estará a nascer a minha segunda sobrinha. A Manu vai ter uma irmã mais nova, a Isabella. E se a Isabella seguir o caminho da Manu, antes dos dois anos já vai falar como se tivesse três.

Os meus amigos ou já são quase todos pais ou têm bebés a caminho. Tudo isto me tem deixado a pensar em como irei preparar os meus filhos para crescerem num mundo diferente daquele em que eu cresci.

Tenho pensado em formas de compensar a educação que vão ter na escola e que foi criada para um modelo industrial que já não existe. Em como ensiná-los desde pequenos a poupar e gerir dinheiro, como cultivar curiosidade e interesse por aprender (por gosto e não por obrigação). Continue reading

Como ser um bom Networker – Parte 1

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Há tanto para explorar dentro do tema networking que optei por dividir esta série em várias partes. Assim temos posts mais curtos porque, sejamos honestos, é Verão e ninguém tem pachorra durante as férias.

Aposto que quando pensas em networking, a imagem que te vem à cabeça é um evento onde é suposto teres um bolso cheio de cartões e iniciares conversas de circunstância com desconhecidos, tudo para no final pedires qualquer coisa.

Mas a verdade é que hoje em dia, é mais provável que os esforços de networking passem sobretudo pelo mundo virtual. E não, não me refiro a adicionar contactos no LinkedIn em massa – por favor nunca faças isso.

Diz não a tudo o que for massificado. 

Não é assim que se usa o LinkedIn. Emails indiscriminados são SPAM. E há que saber respeitar o espaço das pessoas.

Networking consiste em cultivar relações numa perspectiva de longo prazo e não é preciso dizer que o tratamento impessoal e indiscriminado não cultiva relação absolutamente nenhuma. Demonstra interesse genuíno pela outra pessoa e pensa mais no que podes fazer pelo outro do que o outro pode fazer por ti. Continue reading

Como Optimizar o Perfil de LinkedIn em 5 Passos

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Hoje faz um ano que cheguei ao Dubai, fruto de uma oportunidade de trabalho que surgiu via LinkedIn. Depois de meses a chatear-vos para lhe darem a devida importância, hoje é o dia que publico o post que tenho vindo a prometer.

Há muito a explorar nesta rede social profissional mas, para já, vou escrever uma espécie de guia para quem vai criar um perfil de raiz e para quem tem um perfil incompleto ou sub-aproveitado (e com isto acabo de englobar provavelmente 80% da população).

Pior do que não estar no LinkedIn, é ter um perfil incompleto. Mais vale ninguém te encontrar online do que encontrar e ficar com má impressão. Especialmente se estás activamente à procura de emprego porque hoje em dia se o teu CV estiver a ser considerado, podes crer que vão pesquisar por ti no LinkedIn.

Esta dica não faz parte dos 6 passos porque é tão básica que dói. Mas dada a quantidade de pessoas que não cumpre, aqui fica: MANTÉM O TEU PERFIL A-C-T-U-A-L-I-Z-A-D-O. Continue reading

Uma verdade dificil de aceitar

Entre trabalho, o Mundial e visitas de amigos e família de Portugal (um acontecimento raro que urge aproveitar), tem-me sobrado pouco ou nenhum tempo para escrever.

Felizmente, as coisas acalmam agora na altura do Ramadão e já tenho alguns textos em draft. O próximo está quase, quase a sair e é sobre um tema no qual tenho vindo a insistir há bastante tempo: a importância do LinkedIn.

Enquanto não sai, gostava de partilhar um artigo que encontrei aqui perdido nuns documentos antigos e que já foi escrito há mais de 6 anos mas cheio de razão numa verdade que ainda hoje nos recusamos a aceitar:

“Great jobs, world class jobs, jobs people kill for… those jobs don’t get filled by people emailing in resumes. Ever.”

Podes ler o artigo completo aqui.

Rute Silva Brito

Margaritas e Vista para o Mar. Vens?

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O Licenciado. E Agora já leva 6 meses de existência e num espírito de celebração, quero aproveitar a minha curta viagem a Portugal para conhecer-vos. Venho propor-vos um final de tarde bem passado, com margaritas e vista para o mar no sítio maravilhoso ali na foto.

O objectivo é partilharmos histórias e experiências no mundo do trabalho, falar sobre os desafios que temos pela frente e pensar soluções em conjunto. Não vou conduzir uma reunião nem dar uma palestra. Não há guião nem tópicos específicos na agenda. Será apenas uma conversa informal sobre o que nos apetecer. Continue reading