És um ben-u-ron ou um remédio genérico?

benuron
No meu post anterior comparei um mau CV com uma fralda suja, e expliquei quais os 5 erros mais comuns.

Mas para ter sucesso na procura de emprego, não basta não borrar a fralda. Não basta saber o que não fazer. É preciso saber como fazer. E o como tem muito que se lhe diga. As regras de ouro ou melhores práticas não ajudam em nada se o conteúdo não estiver lá.

E qual é o conteúdo do CV? O conteúdo és tu.

O truque é, antes de avançar para a criação do CV, perceber quem tu és. E tu não és a soma de todos os cargos e funções que desempenhaste. És, ou deves ser, uma marca.

Este post é sobre marketing pessoal (ou branding pessoal) e não sobre como fazer um bom CV.

Porque é que precisas de ser uma marca? Porque o Ben-U-Ron é igualzinho a um paracetamol genérico mas está no top dos 20 medicamentos mais vendidos, enquanto que o genérico nem lá perto. Além disso, a marca Ben-U-Ron permite cobrar mais pelo produto: é a mais cara de todas da mesma categoria e é a que vende mais.

Queres ser uma marca, ter mais propostas e cobrar mais pelo teu trabalho?

Ou queres ser um genérico qualquer, igual a tantos outros, mesmo que igualmente qualificado? É que o candidato mais qualificado raramente é o que ganha. As propostas vão invariavelmente para a pessoa que faz um melhor trabalho em posicionar-se como a solução (o remédio!) para o problema do empregador.

Este conceito de posicionamento, é um conceito de marketing. Posto de forma muito simples, o teu posicionamento de marca é a forma propositada como queres ser visto pelo teu público-alvo, neste caso, potenciais empregadores.

Antigamente o conceito de marca pessoal era reservado para executivos de topo que queriam maximizar o retorno financeiro da sua carreira. Hoje em dia, no mercado de trabalho actual, é uma questão de sobrevivência.

Aposto que muitos de vocês estão de pé atrás, mas garanto-vos que marketing pessoal não tem que ver com projectar uma imagem falsa. Tem que ver com perceberes o aquilo que é único em ti – as tuas realizações profissionais, experiência, atitude e qualidades – e usá-lo para te diferenciares.

Marketing pessoal é processo de identificares o valor que podes acrescentar a uma empresa, equipa ou projecto e de o comunicares de maneira profissional, memorável e consistente.

Temos então dois passos fundamentais para identificar o que é importante para a tua marca pessoal:

#1. Determinar quais os teus skills com potencial de venda – de todas as tuas qualidades profissionais, quais são as mais importantes para a tua área, indústria ou mercado?

#2. Encontrar realizações passadas que suportem a tua marca – que resultados obtiveste que comprovam que és criativo, por exemplo? Ou que és um bom comercial?

Parece lógico e simples mas o processo não é imediato. Pode ser particularmente difícil para quem está a iniciar uma carreira porque não teve ainda tempo suficiente para amadurecer enquanto profissional. Mas não faz mal, podes sempre ajustar a tua marca ao longo dos anos. Aliás, deves fazê-lo porque é uma das melhores armas de progressão de carreira.

Para quem está a começar, gosto de recomendar dois exercícios práticos, para reflectir:

#1. O que é que fazes muito bem? Há alguma coisa em que és realmente bom e melhor que fazes muito mais facilmente que a maioria das pessoas? É o trabalho que fazes agora? É algum hobbie? Algo que estudaste na faculdade? Escreve tudo o que te vier à cabeça num papel, não importa se tem a ver com trabalho ou não.

#2. O que é que gostas de fazer? Que skills usas no trabalho ou na faculdade e que gostas mesmo? O que é que gostavas de fazer mesmo que não fosses pago? Escreve tudo o que te lembres novamente.

Compara as duas listas e sublinha os skills que se repetem em ambas as respostas. De todos os que se repetirem, escolhe três skills que aches terem maior valor-mercado, serem os mais procurados por potenciais empregadores. Chegaste aqui ao teu posicionamento, a base daquilo que vai ser o teu CV e outras ferramentas de promoção da tua marca pessoal.

Agora falta apenas encontrar factos que comprovem que possuis estes skills. Por exemplo, se escolheste poder de persuasão, podes olhar para a tua experiência e quantificar o número de contas novas que ganhaste para a empresa e o income anual gerado. Ou então listar o número de patrocínios que conseguiste para a tua associação de estudantes.

O objectivo é deixares de pensar em ti como desempregado, ou à procura de emprego, e começares a ver-te como um investimento. Inverteres a lógica e colocares-te no lugar do empregador. Qual é o retorno que vais trazer à empresa?

Este processo é apenas uma sugestão. Cabe-te a ti perceberes como vais deixar de ser um genérico.

No próximo post vou explicar como criei a minha marca pessoal.

O blog mudou de URL. Para acompanhares os novos posts visita o licenciadoeagora.com

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És um ben-u-ron ou um remédio genérico?

8 thoughts on “És um ben-u-ron ou um remédio genérico?

  1. uugc says:

    Olá Rute.

    Leio com muita atenção o teu blog desde algum tempo contudo acho que as ideias que aqui colocas além de repetitivas e recortadas genericamente por outros sites não ganham forma na vida real.Não quero com isto dizer que não tenhas a tua boa dose de razão,porque em alguns aspectos sei que tens (p ex,o conhecimento numa área para mim é uma forma de investimento,tanto em tempo como dinheiro!). Um mau cv para ti ,pode ser um potencial candidato para uma empresa,e existem empresas que entrevistam pessoas mesmo não tendo esse “skill” de apresentação. Em alguns casos, esses candidatos enquadram-se nos cargos em questão.

    São raras mas ainda existem!

    Outra coisa muito importante,tomar uma figura que aos olhos do público que lê o teu blog tem um perfil profissional anónimo(como uma rapariga que queria seguir o sonho de ser jornalista,advogada,gestora,web designer ect…) para relatar de forma genérica aquilo que passa numa determinada área não é positivo para o teu brio pessoal.Quando colocas uma publicação na internet e quando a partilhas por milhares de pessoas que lêem,partilham,recolhem partem e repartem o conteúdo (user generated content) essa informação pode-se virar contra ti porque não tens créditos ,nem experiência suficiente nessa determinada área,para relatar o que quer que seja.Cada caso é um caso.

    Relembra-te que é bom partilhar aquilo que pensas com os outros,mas com peso e medida e sobretudo espírito critico.Afinal tu nunca sabes quem pode estar a ler o perfil profissional na internet.

    Votos de sucesso profissional.

  2. Nas minhas leituras, quer seja um livro ou um blog, leio sempre com o mesmo espírito crítico. Retiro aquilo que acho que tem utilidade para a minha situação em particular e o resto é a opinião do autor – fica no livro.

    Quem lê o meu blog deve fazer exactamente o mesmo. Sou a primeira a dizer que não sou especialista em coisa nenhuma.

    Agora, refuto completamente que o que faço aqui é recortar genericamente ideias de outros sites. Aliás, tudo o que escrevo é baseado na minha experiência e escolhi expor-me ao contar situações reais que vivo para precisamente ilustrar que tem aplicação prática, sim.

    Aliás, a julgar pelas centenas de emails, comentários e mensagens que tenho recebido posso nunca mais escrever uma palavra e dizer missão cumprida.

    Se leio outros livros, sites, revistas, etc? Claro que sim. As leituras que fiz ao longo dos meus 27 anos de vida tiveram influência na forma como penso e nas ideias que transmito? Sem dúvida.

    Reciclo conteúdos de outros sites como até os nossos meios de comunicação (ex: dinheiro vivo) o fazem? Nunca. Sempre que refiro ideias de outras pessoas, menciono a fonte. E nunca escondo os sites que leio, pelo contrário, partilho directamente links para esses mesmo no facebook. Chama-se a isso curar conteúdos.

    Nunca relatei de forma genérica algo que se passa numa outra área cuja realidade não conheço. Recebo emails de pessoas com décadas de experiência em áreas como a saúde, psicologia, direito, etc a pedir ajuda depois de lerem o blog (será que não se aplicam algumas das coisas também?) quando sempre deixei claro que estou a falar para:
    1. Pessoas da minha geração (Y)
    2. Sobretudo no universo corporate

    Essa é a minha audiência mas a julgar pelo feedback há uma lacuna em outras áreas também.

    Não faço ideia ao que te referes em relação aos perfis anónimos. Se quiseres ser mais específico, poderei responder. A única que me lembro de momento trata-se de uma pessoa de jornalismo e não retratei área nenhuma. Falei de um exemplo específico e com a devida autorização da pessoa em questão.

    Quanto ao meu brio profissional, fico sensibilizada com a preocupação gratuita mas está tudo em ordem, obrigada. E se este blog é um cartão de visita, a julgar pelos efeitos que produziu em 4 meses é um excelente cartão.

    Bem haja.

    Rute

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