Na semana passada passei um dia a fazer um portfólio para uma empresa à qual me candidatei.
Não foi o típico portóflio isto-é-o-que-já-fiz-no-passado, mas sim uma apresentação com o título “7 reasons why I’m the best choice for X” (X sendo o cargo), e lá pelo meio tinha uma amostra do meu portfólio.
Quando ia na 4ª razão, comecei a duvidar do título. Apareceu aquela vozinha interior “será que pareço convencida?”… “parece que estou a dizer que sou perfeita e nunca falho”… “se calhar não devia dizer que sou a melhor, só uma das melhores”…
Eventualmente acabei por deixar tudo como estava e enviei conforme tinha planeado.
Mas isto para vos dizer que até eu – que sou de marketing e tenho plena consciência que uma candidatura se trata de vender um produto – por vezes tenho de contrariar aquele estigma tão típico português que nos diz que não somos capazes. Aquela mentalidade de não querer protagonismo, de ter medo de afirmar com confiança.
Passámos de um país que descobriu o mundo a um país com um complexo de inferioridade colectivo. Estamos na cauda da Europa. Lá fora é que é bom. Em Portugal não se vai longe…. É um estigma social que nos afecta a todos, até aos mais confiantes e competentes de nós.
Quando estamos à procura de trabalho, não é a altura de sermos tímidos. Quem é arrojado e se expõe é que geralmente consegue o emprego, mesmo que não seja o mais qualificado.
É bom lembrarmo-nos a nós próprios daquilo que alcançámos no passado, dos desafios que superámos, das nossas competências. E da nossa vontade de fazer ainda mais, melhor.
Quando estamos à procura de emprego, passado algum tempo começamos a duvidar das nossas capacidades. Estar à procura de emprego é lidar diariamente com a rejeição. Não. É lidar diariamente com o silêncio, que ainda é pior.
Geralmente sou uma pessoa bastante confiante e com capacidade de auto-motivação mas, naquele momento em que fiz uma pausa no meu portfólio para ir espreitar o meu LinkedIn Premium e na página do anúncio li “1063 applicants. You’re not on the top 50% for this position”, a minha confiança vacilou.
Mas apenas por momentos. O que seria se agora deixasse uma rede social determinar o que sou e o que não sou.
Desculpa LinkedIn. Amigos como d’antes.
Rute Silva Brito