7 coisas que aprendi desde que emigrei

Itchy Feet Comic

Faz quase um ano que recebi o convite escrever uma coluna no icote.pt. Foi uma resposta fácil – já escrevia sobre os mesmos temas no Licenciado. E Agora? e tinha emigrado há pouco tempo para o Dubai.

Desde o início que tenho procurado provocar nos leitores uma reacção com os meus textos de índole prática, tom assertivo e testemunho pessoal. Um pequeníssimo contributo que em nada se compara ao trabalho dos meus colegas que mantêm o site e têm ajudado milhares de portugueses a encontrar o seu caminho fora do país. A eles, o meu obrigado. Pelo convite, camaradagem e empenho nesta missão altruísta.

O meu espírito natalício diz-me que é apropriado mencionar o quão incrível são as portas que se abrem quando nos entregamos a um projecto para abençoarmos outras pessoas e sem esperarmos nada em troca. Acabamos por ser nós os mais abençoados.

Desafio-te a fazeres o mesmo, especialmente se estiveres desempregado.

Não sejas como 90% das pessoas que fica no sofá à espera de ter uma resposta aos CVs que envia. Ocupa a tua mente com projectos construtivos em vez de pensamentos depressivos. Investe o teu tempo em projectos pessoais, mesmo que não sejam remunerados.

É um desafio que só tem três requisitos: 1) tem de ser algo que gostes de fazer, 2) tem de ser algo que envolva trabalhar com outras pessoas e 3) tem de ser algo altruísta, que acrescente valor ao destinatário.

Garanto que os resultados são surpreendentes.

Fazendo uma retrospectiva a este ano que passou e ao meu primeiro ano e meio como portuguesa no estrangeiro, partilho aqui algumas das lições que aprendi e experiências que passei.

1) Emigrar pela primeira vez por tempo indefinido é muito mais difícil do que parece e não se compara a situações temporárias como Erasmus ou um estágio no estrangeiro. Ainda assim, é uma experiência que aconselho a toda a gente e que vale muito a pena. Apesar de já ser extremamente viajada, a minha visão do mundo mudou completamente.

2) Emigrar é um novo começo a todos os níveis e é a altura ideal para se fazer mudanças. Isto é uma conclusão óbvia mas, a menos que os esforços sejam intencionais, nunca mudamos nada.

Este ano dei especial atenção à gestão do meu dinheiro e posso dizer que cumprir um budget mensal permitiu-me atingir 4 metas financeiras importantes. Não o fiz sem disciplina ou sacrifícios – quando o dinheiro no envelope de “comer fora” acaba a dia 15, não como mais fora até ao próximo mês, mesmo que os meus amigos estejam todos a combinar um brunch no dia 20.

Ter dinheiro na conta e agir como se não tivesse porque não está no budget é libertador e fez com que desse menos valor às coisas materiais. Como diz o Dave Ramsey, ter um budget “é dizer ao dinheiro para onde tem que ir, em vez de te perguntares para onde é que ele foi.” – aconselho a todos, emigrantes ou não.

3) Emigrar é uma daquelas situações na vida que revela o quão importante é escolher bem a pessoa que temos ao nosso lado. Uma pessoa que nos desafie, nos faça ser melhores, com objectivos alinhados, que partilhe dos mesmos valores e com quem podemos construir um projecto de vida em conjunto. Descobri tudo isso no meu marido ao longo do último ano no Dubai e temos crescido no mesmo sentido. Por mais independente que eu sempre tenha sido, não seria a mesma coisa sem ele, nem estaria aqui agora.

4) Sei que é um cliché referir o contacto com outras culturas como um benefício quando se emigra, é um facto conhecido. Mas viver numa metrópole onde 85% da população é expatriada é todo um outro nível. A primeira pergunta que se faz aqui quando se conhece alguém é literalmente “de onde és?”. Trabalho com ingleses, australianos, sul africanos, cubanos, dominicanos, colombianos, indianos, peruanos, japoneses, filipinos e emiratis. Religião é um tópico de conversa tão normal como o tempo.

Admito que ainda não consegui ultrapassar uma certa frustração em lidar com pessoas de determinadas culturas mas, por outro lado, viver num país muçulmano destruiu preconceitos que eu nem sequer sabia que tinha.

5) Isto pode parecer contraditório, especialmente depois do ponto 2, mas fazer planos só te leva até determinado ponto. Há coisas que só se conseguem quando nos atiramos de cabeça. Não esperes pelas condições perfeitas porque nunca vão existir.

Apesar de estar a ser uma boa experiência, sei que o Dubai não é para mim. Não faz mal, não vou ficar aqui confortável à espera que as condições se reúnam todas, os planos corram exactamente como previa ou as estrelas se alinhem. Vou-me atirar de cabeça para o próximo sítio.

6) Portugal é um país lindo e apesar de termos um certo complexo de inferioridade (“lá fora é que é”), estamos avançados em muita coisa, especialmente em relação ao Dubai. Por outro lado, somos realmente um país pequeno e por uma questão de escala, há muitas coisas que nunca serão possíveis em Portugal. Estar fora faz-nos pensar mais alto, e podemos atingir coisas maiores que de outra forma não atingiríamos.

Sempre fui extremamente ambiciosa mas tenho reparado que agora falo de objectivos com uma ordem de grandeza muito maior como se fossem completamente normais e acessíveis.

7) Por fim, as oportunidades para portugueses no estrangeiro existem e sites como o icote.pt são um óptimo recurso. Mas não esgotes as tuas possibilidades a concorrer apenas a vagas para portugueses.

Somos um povo qualificado e com muito para oferecer. Somos capazes de competir com espanhóis, franceses, ingleses, indianos e americanos. Procura desenvolver competências extra que te tornem competitivo no mercado onde queres entrar e não te diferencies só pelo facto de seres português.

Não limites o teu potencial.

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