8 Coisas que Aprendi sobre Trabalhar para CEOs

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Na minha carreira até aqui, tenho trabalhado quase sempre ou para mim própria, ou para um CEO. Já trabalhei para o CEO de uma multinacional, para o CEO e co-founder de uma empresa de média dimensão, e fui o número 2 do CEO de uma startup.

Apesar de todos nós no mundo empresarial termos um chefe, reportar directamente a um CEO é uma experiência completamente diferente de reportar a um middle manager ou mesmo outro executivo de topo.

Sim, os CEOs são pessoas como todos nós, com personalidades e estilos de liderança diferentes mas por norma têm algumas características em comum como, por exemplo, serem grandes visionários, terem uma agenda completamente cheia ou serem excelentes a avaliar pessoas.

Tudo isto faz com que reportar a um CEO seja uma grande experiência de aprendizagem, pelo que partilho aqui algumas das coisas mais importantes que tenho aprendido nos últimos anos.

1. Respeita o tempo do teu CEO

Ainda me lembro do silêncio awkward durante a minha primeira reunião com o CEO de uma multinacional. Só o tinha visto duas vezes no processo de entrevista e tinha sido contratada para montar um departamento novo, pelo que não fazia ideia do que era suposto fazer. Sentei-me, à espera que ele começasse a falar e ele continuou a olhar para mim, em silêncio, até que decidi improvisar e comecei a fazer perguntas.

Vinda de uma startup, estava habituada a falar sobre tudo com o meu CEO e rapidamente me apercebi que ele nunca me iria mandar uma agenda de reunião. Liderar aquelas reuniões semanais e aproveitar ao máximo o curto tempo que tínhamos face a face era responsabilidade minha.

O mesmo se aplica aos emails. Alguma vez te queixaste do quão difícil é gerir a quantidade absurda de emails que recebes? Agora imagina a inbox de um CEO. Escreve os emails mais curtos que conseguires e não esperer ter sempre uma resposta. A maioria das vezes, a única resposta que recebi foi apenas uma palavra: OK.

2. Nunca leves um problema a um CEO 

Em vez disso, leva antes uma solução. A não ser que esteja para acontecer algo catastrófico, é provável que o situação que enfrentas não seja realmente um problema, então cabe-te a ti encontrares uma saída antes de trazeres ao CEO.

Esta é uma excelente maneira de o manter informado e de teres a aprovação dele para fazeres as coisas à tua maneira. Se precisares de orientação, então tenta encontrar soluções alternativas e pergunta qual a opinião dele, mas regra-geral não deves esperar que o CEO te dê a resposta a uma pergunta aberta.

3. Não tenhas receio de discordar do teu CEO 

Os CEOs são pessoas extremamente inteligentes mas geralmente também valorizam honestidade e são bastante abertos a serem desafiados. Se estás certo de alguma coisa, então firma o pé e sê persistente. Mas é bom que tenhas dados para suportar a tua posição ou vais ser destruído.

Uma vez tive uma reunião com o meu CEO e uma colega que estava envolvida no projecto a ser discutido. Ele queria fazer algo que eu discordava completamente e sabia que ia ser quase impossível de implementar. Expliquei as minhas reservas mas ele quis avançar à mesma.

A minha colega passou o tempo todo em silêncio mas mal saímos do escritório dele começou a queixar-se. Ela também não concordava! “Oi? Porque é que não me apoiaste na reunião!?”

No final desse dia enviei um email ao CEO a explicar as razões pelas quais discordava da decisão mas garanti-lhe que faria o que ele achasse melhor. Dez minutos depois tinha a maior resposta que alguma vez me enviou por email: “OK, não vamos avançar.”

Portanto, não tenhas receio de discordar – se ele te contratou significa que respeita a tua opinião e vai ouvi-la se provares o teu argumento com factos.

4. Discute apenas assuntos high-level

Voltando ao tema de respeitar o tempo dele, um CEO geralmente não está interessado no dia-a-dia do teu trabalho. Evita os detalhes. Volto a dizer, se ele te contratou, significa que confia na tua capacidade de tomares as decisões operacionais certas.

Sempre gostei da abordagem que diz que “mais vale pedir desculpa do que permissão”, por isso nunca me hei-de esquecer de uma das primeiras coisas que um CEO me disse logo após me ter contratado: “Não me vais ter aqui a toda a hora por isso precisas de tomar decisões rapidamente. Nunca me vou chatear contigo sobre nenhuma decisão que tomares, mas vou-me chatear a sério se não agires.”

Claro que ele me partiu a cabeça por cada erro que cometi, mas sinto-me grata por me ter dado espaço para cometer esses erros, apesar de me ter dado na cabeça depois.

Não incomodes um CEO com detalhes. Em vez disso, discute assuntos high-level e aproveita a oportunidade para aprenderes o máximo que puderes. Faz perguntas. Pede feedback e conselhos. Com o passar do tempo, aquilo que seria apenas uma relação profissional pode muito bem tornar-se numa relação de mentoria.

5. No final do dia, lembra-te que é um negócio 

Quando se é o número dois de um CEO, e especialmente se estivermos a falar de uma startup, passa-se por tanta coisa juntos que é provável que se tornem amigos. Mas no final do dia, é importante não esquecer o que está em jogo.

A maioria das minhas viagens de negócios eram 60% diversão, 40% negócios. Mas quando era negócios, era negócios a sério. Lembro-de de estar na brincadeira com o meu CEO durante uma viagem que fizemos para reunir com um potencial parceiro. Fechar aquele negócio era fundamental para a empresa e assim que entrámos na sala de reuniões, acabou a brincadeira. A nossa postura mudou, o nosso tom mudou, era show time. Tínhamos ido para a guerra e não íamos trazer prisioneiros.

6. Cada reunião é uma oportunidade 

Andava a pensar numa ideia para um projecto há algumas semanas quando a mencionei casualmente durante uma reunião semanal com o meu CEO. Ele não ligou muito e rapidamente mudou de assunto. No final desse dia fui para casa frustrada e a queixar-me por ele não ter entendido o potencial. Depois apercebi-me do quão ridícula devia estar a soar.

Ele não tinha entendido?? A culpa era completamente minha por ter mencionado uma ideia que ainda não tinha sido pensada como deve ser! Naquele dia entendi o quão sortuda era por reportar à única pessoa que tinha o poder de fazer as coisas acontecerem. Então comecei a encarar as minhas reuniões como uma oportunidade por semana para aprovar as minhas ideias. Continuei a trabalhar naquela ideia em particular e apresentei-a 4 vezes até que ele finalmente disse que sim.

Este episódio mudou completamente a minha forma de pensar e desde aí que cada vez que ouço um “não”, na minha cabeça significa “ainda não, tenho de trabalhar mais.”

Outra maneira de aproveitar uma oportunidade deste género é pensar no CEO como a pessoa que te pode abrir portas e remover obstáculos. Se conseguires buy-in do CEO, é muito mais fácil consegui-lo de outras pessoas na empresa.

7. O CEO é a única pessoa com toda a informação 

Uma grande parte do trabalho de um CEO é tomar decisões para a empresa e os resultados de muitas delas apenas são visíveis a longo prazo. Além disso, algumas dessas decisões envolvem riscos e um certo grau de incerteza.

Ainda assim, e mesmo em empresas que primam pela transparência, o CEO é a única pessoa que tem toda a informação disponível. Ele é o general na central de comando a olhar para o campo de batalha, a ver cada peça mover-se, considerando cada ângulo e cenário possível. Nós não temos esse tipo de visão ampla na linha da frente.

Lembra-te disto antes de questionares as decisões do teu CEO. Não tens que concordar com ou sequer percebê-las todas. Apenas tens de confiar nele.

Se trabalhas para uma empresa em cujo CEO não confias ou respeitas, sai imediatamente. O trabalho é uma grande parte das nossas vidas e não colocarias a tua vida nas mãos de alguém em quem não confias.

8. Tenta manter a relação após a tua saída 

Só porque deixas uma empresa não significa que tenhas que deixar o teu CEO. Se conseguiste construir uma boa relação, não deixes que a tua experiência de aprendizagem termine e tenta manter o contacto de vez em quando.

Texto publicado originalmente no LinkedIn.

Rute Silva Brito
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