A Vida é mais do que um Ofício

Escrevo frequentemente sobre fazer coisas diferentes, fora da nossa zona de conforto. Sobre não seguirmos um caminho tradicional e sermos persistentes naquilo em que acreditamos.

Para mim é fácil escrever sobre estes temas porque não segui uma carreira tradicional mas sobretudo porque vivo rodeada de exemplos de pessoas que desafiam o status quo.

Uma dessas pessoas é o Miguel.

Conheci o Miguel como Espanhol (nome artístico) há quase 10 anos atrás num festival de Hip Hop que organizei e desde aí que tenho acompanhado o percurso dele. O Miguel é um artista independente que nunca se conformou com as limitações impostas pela dimensão do mercado português.

Não conseguindo viver da música (ainda), tirou uma licenciatura em marketing e não teve receio de partir rumo ao Dubai para trabalhar na Emirates. Uma vez aqui, podia ter ficado acomodado no sector da aviação, com todos os perks que isso traz (viajar pelo mundo, anyone?), mas a humildade com que se entrega a novos desafios (mesmo que triviais) não passou despercebida. Em pouco tempo chamou a atenção do CEO de uma grande empresa no Médio Oriente, para a qual trabalha actualmente.

Com uma oportunidade destas, seria muito fácil abandonar o sonho em prol de um plano B mais estável em todos os sentidos. Mas o espírito empreendedor que levou um artista relativamente desconhecido a actuar no SXSW falou mais alto e o Miguel continua a fazer música.

Este tema com o Lyan (outro pessoa que admiro), encaixa-se perfeitamente no tema do Licenciado. E Agora? pelo que partilho aqui convosco o respectivo video e letra.

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8 Coisas que Aprendi sobre Trabalhar para CEOs

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Na minha carreira até aqui, tenho trabalhado quase sempre ou para mim própria, ou para um CEO. Já trabalhei para o CEO de uma multinacional, para o CEO e co-founder de uma empresa de média dimensão, e fui o número 2 do CEO de uma startup.

Apesar de todos nós no mundo empresarial termos um chefe, reportar directamente a um CEO é uma experiência completamente diferente de reportar a um middle manager ou mesmo outro executivo de topo.

Sim, os CEOs são pessoas como todos nós, com personalidades e estilos de liderança diferentes mas por norma têm algumas características em comum como, por exemplo, serem grandes visionários, terem uma agenda completamente cheia ou serem excelentes a avaliar pessoas.

Tudo isto faz com que reportar a um CEO seja uma grande experiência de aprendizagem, pelo que partilho aqui algumas das coisas mais importantes que tenho aprendido nos últimos anos.

1. Respeita o tempo do teu CEO

Ainda me lembro do silêncio awkward durante a minha primeira reunião com o CEO de uma multinacional. Só o tinha visto duas vezes no processo de entrevista e tinha sido contratada para montar um departamento novo, pelo que não fazia ideia do que era suposto fazer. Sentei-me, à espera que ele começasse a falar e ele continuou a olhar para mim, em silêncio, até que decidi improvisar e comecei a fazer perguntas. Continue reading

Ler e Avançar na Carreira: 5 Razões Para Leres Mais

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Há quem diga que se sente nua se sair de casa sem brincos. Ou sem telemóvel. Eu sinto-me despida quando saio de casa sem um livro.

Apesar de gostar imenso de ler, não venho escrever sobre a leitura enquanto hobby, forma de entretenimento ou cultura, mas sim como uma ferramenta de desenvolvimento pessoal.

Ouço pessoas comentarem que “não gostam de ler” demasiadas vezes e, embora compreenda que é uma questão pessoal, acredito que estão a fechar a porta a imensas oportunidades de carreira no mundo empresarial (e não só).

Sei que não é coincidência o facto dos meus piores anos profissionais terem sido aqueles em que trabalhava tanto que não tinha tempo para ler. Deixo aqui 5 argumentos a favor da leitura como um dos hábitos mais essenciais para a vida.

1. O Mercado Exige Aprendizagem Constante

Costumo dizer que a nossa aprendizagem enquanto profissionais começa verdadeiramente no dia em que saímos da faculdade. Ao ritmo a que o mercado evolui, estar constantemente a aprender coisas novas é uma necessidade absoluta para não sermos ultrapassados.

Não nos podemos dar ao luxo de esperar até à próxima formação paga pela empresa, temos de ser proactivos. E ler (blogs, artigos, revistas, jornais, livros, etc) é uma das melhores formas de o fazer. Continue reading

Carreira: Perseguir o sonho ou viver na realidade?

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Este tópico está na minha pipeline há quase um ano. Por algum motivo, sempre que começo a escrever este artigo, acabo por começar um novo sobre outro tema qualquer. Acho que o que me faz adiar a escrita deste artigo é o peso da responsabilidade. Todos temos sonhos por alcançar e cada pessoa tem o seu próprio percurso. Nem todos enfrentamos os mesmos obstáculos e há quem tenha mais vantagens simplesmente pelo meio onde nasceu.

Sem desvalorizar a experiência pessoal de ninguém, finalmente vou assumir uma posição.

Decidir entre fazer aquilo que gostamos ou algo que dê dinheiro é um dilema que quase todos os jovens encontram – geralmente quando saímos da faculdade e damos de caras com um mercado de trabalho saturado.

Entre aqueles que conseguem emprego, a maioria dos jovens acaba conformada num trabalho que não detesta mas que também não gosta particularmente.

Isto ou porque não sabem o que gostariam realmente de fazer e deixam-se estar confortáveis, ou porque acham que é impossível fazer o que realmente gostavam.

Será mesmo? Continue reading

7 Razões Para Viver no Dubai

Quando há 6 meses atrás escrevi um artigo sobre procura de emprego no Dubai, nunca imaginei que se fosse tornar dos posts mais lidos de sempre. O facto de ainda hoje continuar a gerar 100 views por dia no meu blog só prova que a procura dos EAU como destino de emprego continua em alta.

Achei portanto justificado escrever um novo artigo sobre o tema, especialmente porque algumas pessoas interpretaram a minha introdução a alertar para as dificuldades no processo como uma visão negativa do Dubai.

Para contrariar essa interpretação, passo a resumir alguns pontos positivos sobre a vida na terra do edifício mais alto do mundo e de tantos outros records do Guiness.

1. Clima Quente

Sim, no Verão é um calor infernal e entre Junho e Agosto não se pode andar na rua mas nos outros 9 meses a temperatura é bastante agradável e dá para aproveitar as belíssimas praias praticamente durante todo o ano. Pessoalmente, aprecio o nosso Inverno em Portugal e tenho saudades da chuva mas a maioria das pessoas gosta do calor – e eu mesma admito que sabe bem ser Março e estar a escrever este texto à noite numa esplanada com 25ºC.

2. Menos Stress

Não que o mercado de trabalho aqui não seja competitivo, mas o ritmo é bastante… árabe. A pressão não é tanta, sai-se a horas, há mais tempo para se ser criativo e o trabalho está bem distribuído entre membros da equipa, por contraste ao que acontece em Portugal onde há menos emprego mas o mesmo volume de trabalho. Continue reading

Nostalgia do Futuro

Yeah I believe, I believe
But its a dream that I ain’t seen yet
Chasing a dream that I ain’t dreamed yet
But I’mma meet it halfway if I keep on walking, walking, walking If I keep on walking                 Yeah i know it when i see it walking, walking when i see it walking

Always waiting for something good to find you
But if it don’t come what are you gonna do
And that’s why I’m walking, walking
Gotta keep on walking, walking

Hoje, acordei um ano mais velha.

Não sou daquelas pessoas que ficam deprimidas por fazer anos. Também não fico particularmente excitada com um aniversário, é simplesmente uma boa desculpa para ter a família reunida e às vezes fazer algo divertido com os amigos mais chegados.

Talvez por este ano estar longe de ambos, o meu estado de espírito presente é algo taciturno.

Hoje, não vos trago nenhuma mensagem. Apenas um reflexão espontânea na esperança que o gesto de traçar a caneta sobre papel me traga alguma clareza de espírito à medida que as palavras vão dando forma a frases, e as frases a parágrafos.

Tem-me vindo à memória um capítulo do Linchpin que há tempos li e que na altura me deixou a pensar. Mas apenas por momentos pois, como todas as coisas que nos fazem encarar os nossos defeitos e falhas pessoais, não foi preciso muito para me distrair com meras trivialidades.

O texto era sobre nostalgia. Não a real nostalgia que nos faz recordar memórias de um tempo que já passou, mas uma nostalgia talvez mais perigosa: a nostalgia do futuro. Continue reading

Quando não ter experiência é um entrave

dt120807

Gosto sempre imenso de falar com profissionais de recursos humanos. Seja pelas histórias de horrores que me contam de processos de recrutamento, seja pelas histórias de pessoas que se destacam.

E ontem ouvi uma história daquelas boas que vale a pena partilhar. Aparentemente, ao entrevistar uma candidata promissora, a minha colega colocou uma questão para se certificar que a pessoa ia assumir um compromisso e que valia o investimento por parte da empresa. A pergunta era o que a candidata pretendia fazer com a sua própria empresa quando começasse a trabalhar a full time. Ou seja, como iria conseguir gerir os dois projectos e o que garantia que não ia largar o cargo em prol da empresa própria.

A resposta é das melhores que já ouvi – não só pela resposta em si mas pela postura.

A pessoa disse que seria injusto não ser considerada para o cargo por causa da empresa que tinha criado precisamente porque ninguém lhe dava emprego sem ter experiência na área.

Um exemplo de alguém que não conseguia emprego e não ficou sentada à espera que lhe dessem uma oportunidade de ganhar experiência. Pôs mãos à obra e hoje tem anos experiência, ganhos por ela mesma.

Escusado dizer que foi seleccionada.

Rute Silva Brito 

Mudar de emprego sem sair do emprego

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O feedback que recebi do meu post anterior foi surpreendente. Nunca pensei que numa amostra tão pequena quanto as pessoas que lêem o Licenciado. E Agora? existisse tanta gente a identificar-se com a situação que descrevi.

Uns já abraçaram a experiência libertadora de dar o salto. Outros reconheceram estar estagnados e estão a ganhar coragem para o fazer.

Isto fez-me pensar sobre duas coisas.

A primeira é a produtividade desperdiçada. Muitas das pessoas que se manifestaram são excelentes profissionais mas que, por estarem desmotivados, estão a produzir abaixo do seu potencial e capacidades. Tínhamos todos a ganhar se gestores, do topo à primeira linha, finalmente passassem a tratar os colaboradores como pessoas e não como recursos.

Se mais managers se apercebessem desta realidade de produtividade desperdiçada, havia mais empresas como a Zappos que tem como política pagar aos colaboradores para saírem da empresa. Se, depois de passar pelo processo de formação, um colaborador aceita 5 mil euros para sair da empresa, então também não tinha a motivação e empenho necessários para ser um profissional fora de série (naquela empresa). Os 5 mil euros de incentivo à saída não são um custo mas um investimento em produtividade.

A segunda coisa é que a probabilidade de estares na situação que descrevi – estagnado num ponto sem retorno – é muito pequena. Continue reading