Nostalgia do Futuro

Yeah I believe, I believe
But its a dream that I ain’t seen yet
Chasing a dream that I ain’t dreamed yet
But I’mma meet it halfway if I keep on walking, walking, walking If I keep on walking                 Yeah i know it when i see it walking, walking when i see it walking

Always waiting for something good to find you
But if it don’t come what are you gone do
And that’s why I’m walking, walking
Gotta keep on walking, walking

Hoje, acordei um ano mais velha.

Não sou daquelas pessoas que ficam deprimidas por fazer anos. Também não fico particularmente excitada com um aniversário, é simplesmente uma boa desculpa para ter a família reunida e às vezes fazer algo divertido com os amigos mais chegados.

Talvez por este ano estar longe de ambos, o meu estado de espírito presente é algo taciturno.

Hoje, não vos trago nenhuma mensagem. Apenas um reflexão espontânea na esperança que o gesto de traçar a caneta sobre papel me traga alguma clareza de espírito à medida que as palavras vão dando forma a frases, e as frases a parágrafos.

Tem-me vindo à memória um capítulo do Linchpin que há tempos li e que na altura me deixou a pensar. Mas apenas por momentos pois, como todas as coisas que nos fazem encarar os nossos defeitos e falhas pessoais, não foi preciso muito para me distrair com meras trivialidades.

O texto era sobre nostalgia. Não a real nostalgia que nos faz recordar memórias de um tempo que já passou, mas uma nostalgia talvez mais perigosa: a nostalgia do futuro. Continue reading

Quando não ter experiência é um entrave

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Gosto sempre imenso de falar com profissionais de recursos humanos. Seja pelas histórias de horrores que me contam de processos de recrutamento, seja pelas histórias de pessoas que se destacam.

E ontem ouvi uma história daquelas boas que vale a pena partilhar. Aparentemente, ao entrevistar uma candidata promissora, a minha colega colocou uma questão para se certificar que a pessoa ia assumir um compromisso e que valia o investimento por parte da empresa. A pergunta era o que a candidata pretendia fazer com a sua própria empresa quando começasse a trabalhar a full time. Ou seja, como iria conseguir gerir os dois projectos e o que garantia que não ia largar o cargo em prol da empresa própria.

A resposta é das melhores que já ouvi – não só pela resposta em si mas pela postura.

A pessoa disse que seria injusto não ser considerada para o cargo por causa da empresa que tinha criado precisamente porque ninguém lhe dava emprego sem ter experiência na área.

Um exemplo de alguém que não conseguia emprego e não ficou sentada à espera que lhe dessem uma oportunidade de ganhar experiência. Pôs mãos à obra e hoje tem anos experiência, ganhos por ela mesma.

Escusado dizer que foi seleccionada.

Rute Silva Brito 

Mudar de emprego sem sair do emprego

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O feedback que recebi do meu post anterior foi surpreendente. Nunca pensei que numa amostra tão pequena quanto as pessoas que lêem o Licenciado. E Agora? existisse tanta gente a identificar-se com a situação que descrevi.

Uns já abraçaram a experiência libertadora de dar o salto. Outros reconheceram estar estagnados e estão a ganhar coragem para o fazer.

Isto fez-me pensar sobre duas coisas.

A primeira é a produtividade desperdiçada. Muitas das pessoas que se manifestaram são excelentes profissionais mas que, por estarem desmotivados, estão a produzir abaixo do seu potencial e capacidades. Tínhamos todos a ganhar se gestores, do topo à primeira linha, finalmente passassem a tratar os colaboradores como pessoas e não como recursos.

Se mais managers se apercebessem desta realidade de produtividade desperdiçada, havia mais empresas como a Zappos que tem como política pagar aos colaboradores para saírem da empresa. Se, depois de passar pelo processo de formação, um colaborador aceita 5 mil euros para sair da empresa, então também não tinha a motivação e empenho necessários para ser um profissional fora de série (naquela empresa). Os 5 mil euros de incentivo à saída não são um custo mas um investimento em produtividade.

A segunda coisa é que a probabilidade de estares na situação que descrevi – estagnado num ponto sem retorno – é muito pequena. Continue reading

2015. O ano em que te vais despedir?

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Ouvi alguém comentar que ninguém se deve despedir de um emprego sem já ter outro garantido. Parece um conselho lógico e sensato, mas não concordo.

Às vezes chega uma altura em que já cresceste acima do teu emprego.
Quando paraste de aprender e já não estás a desenvolver competências novas, quando já não existe nenhum desafio ou algo que te motive, quando a empresa faz um trabalho medíocre e abaixo do teu potencial, quando não há nenhuma possibilidade de evolução dentro da empresa…

Cada dia estagnado nesta empresa é mais um dia em que o teu valor no mercado de trabalho diminui. Continue reading

Como Alcançar Objectivos em 2015

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Há dois tipos de pessoas. As que não fazem resoluções de ano novo e as que fazem.

Independentemente do grupo onde se encaixa, a esmagadora maioria das pessoas chega ao fim do ano e atinge o mesmo resultado: não alcança nada ou porque não traçou objectivos, ou porque desistiu pelo caminho (lá para Fevereiro, dizem os hipsters do primeiro grupo).

Apesar de ser o tipo de pessoa que sempre traçou objectivos, no que toca a resoluções de ano novo, muitas vezes faço parte da maioria que deixa umas quantas para trás.

Nunca todas. O ano passado, por exemplo, atingi uma meta financeira relevante e, mais importante e difícil que isso, consegui cultivar um hábito saudável com uma auto-disciplina que não me é nada natural. Continue reading

7 coisas que aprendi desde que emigrei

Itchy Feet Comic

Faz quase um ano que recebi o convite escrever uma coluna no icote.pt. Foi uma resposta fácil – já escrevia sobre os mesmos temas no Licenciado. E Agora? e tinha emigrado há pouco tempo para o Dubai.

Desde o início que tenho procurado provocar nos leitores uma reacção com os meus textos de índole prática, tom assertivo e testemunho pessoal. Um pequeníssimo contributo que em nada se compara ao trabalho dos meus colegas que mantêm o site e têm ajudado milhares de portugueses a encontrar o seu caminho fora do país. A eles, o meu obrigado. Pelo convite, camaradagem e empenho nesta missão altruísta.

O meu espírito natalício diz-me que é apropriado mencionar o quão incrível são as portas que se abrem quando nos entregamos a um projecto para abençoarmos outras pessoas e sem esperarmos nada em troca. Acabamos por ser nós os mais abençoados.

Desafio-te a fazeres o mesmo, especialmente se estiveres desempregado.

Não sejas como 90% das pessoas que fica no sofá à espera de ter uma resposta aos CVs que envia. Ocupa a tua mente com projectos construtivos em vez de pensamentos depressivos. Investe o teu tempo em projectos pessoais, mesmo que não sejam remunerados.

É um desafio que só tem três requisitos: 1) tem de ser algo que gostes de fazer, 2) tem de ser algo que envolva trabalhar com outras pessoas e 3) tem de ser algo altruísta, que acrescente valor ao destinatário.

Garanto que os resultados são surpreendentes.

Fazendo uma retrospectiva a este ano que passou e ao meu primeiro ano e meio como portuguesa no estrangeiro, partilho aqui algumas das lições que aprendi e experiências que passei. Continue reading

Mestrado é sinónimo de insegurança?

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Como mencionei neste texto, sou grande apologista de nos questionarmos a nós próprios constantemente. De procurarmos honestamente responder ao “porquê”.

Acho que ao fazer esse exercício, frequentemente nos apercebemos que as primeiras respostas que damos são um engodo, desculpas que arranjamos para não termos de refletir sobre as nossas verdadeiras motivações.

No outro dia vi um post no facebook que me fez pensar novamente neste tema e também num artigo que escrevi em Janeiro sobre mestrados. Uma pessoa “a fazer o último ano de licenciatura e que já estava a pensar no mestrado” foi procurar saber mais sobre dois mestrados diferentes num grupo da universidade. Ambos eram da mesma área que a licenciatura e a motivação da escolha era por ser “algo que queria mesmo”.

Fazer um mestrado para enriquecimento intelectual é perfeitamente válido e é uma decisão pessoal, mas então deixemos de fingir que é uma opção de carreira. Não conheço as circunstâncias da pessoa em causa mas deixou-me a pensar no que leva realmente uma boa parte dos finalistas a continuar os estudos.

Quer-me parecer que os motivos reais raramente são exteriores. Raramente são porque querem direcionar a carreira para uma área específica ou porque é difícil conseguir emprego com a licenciatura actual. Atrevo-me a especular que os verdadeiros motivos são internos.

Quando era finalista e ouvi um colega comentar abertamente que ia tirar um mestrado porque não se sentia preparado para entrar no mercado de trabalho, encarei como uma situação isolada de síndrome de Peter Pan (ele próprio admitiu).

Hoje penso que não é de todo um caso isolado. Não quer dizer que todos os alunos que optem por esse caminho tenham medo de crescer ou de assumir responsabilidades, mas há uma certa insegurança que pode estar na raiz da decisão. Continue reading

Empreendedorismo a preto e branco

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[AVISO] Conteúdo de tom ligeiramente sarcástico.

Há meses que deixei de fazer cursos online por falta de tempo mas quando pessoal do Y Combinator (possivelmente o melhor acelerador de startups do mundo) disponibiliza online as várias aulas sobre startups que estão a dar em Stanford, eu arranjo tempo.

Para quem possa estar igualmente interessado, ainda está a decorrer e podem assistir a “How to Start a Startup” aqui. São 20 aulas dadas por alguns dos melhores empreendedores, business angels e VCs do mundo.

No outro dia, por curiosidade, fui ver a lista de universidades que estão a passar os vídeos e a acompanhar o programa com os seus alunos e entre 500 instituições do mundo inteiro, só há uma portuguesa (o Técnico). Uma!

Não há dúvida que o ensino superior em Portugal precisa de uma revolução e infelizmente temos problemas estruturais que só serão resolvidos com novas políticas de ensino. Mas até lá cabe aos professores fazerem o que podem para se manterem actualizados e trazerem desafios interessantes para a sala de aula que realmente sejam relevantes no século XXI.

Com tantas universidades a darem cadeiras de empreendedorismo, não há professores que tomem iniciativa de dar destaque a isto?! É tão simples quanto projectar um vídeo.

Por curiosidade fui ver os planos curriculares em várias universidades e o que encontrei dá-me vontade de rir e chorar ao mesmo tempo.

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Como conseguir buy-in e aprovar uma ideia

108249.strip.sundayHá tempos atrás, comecei um novo trabalho.

Recebi a pasta, conheci as pessoas relevantes em todos os departamento e comecei a trabalhar no meu projecto, a moldar o meu departamento de acordo com a minha visão para o cargo.

Na minha reunião semanal com o meu CEO, depois de passar por todos os tópicos na lista, mencionei por alto a estratégia que tinha delineado para atingirmos os objectivos que tinha em mente. Para meu desânimo, o CEO rapidamente descartou a minha ideia, e preferia deixar as coisas como estavam.

Nesse dia fui para casa sem moral. Continue reading